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A mão única da solidariedade: Patrícia Nunes, ativista animal e de mulheres, agoniza à espera de um milagre

A mão única da solidariedade: Patrícia Nunes, ativista animal e de mulheres, agoniza à espera de um milagre

A jornalista e ativista Patrícia Nunes dedicou décadas de sua vida à solidariedade, atuando em causas relacionadas à proteção animal precisa de ajuda

Fonte: André Freitas

A jornalista e ativista Patrícia Nunes dedicou décadas de sua vida à solidariedade, atuando em causas relacionadas à proteção animal assim como de crianças e também de mulheres vítimas de violência. Atualmente, ela repousa imóvel contra à sua vontade, no leito de uma casa alugada, posta à venda, à espera de um milagre.

Apesar de enfrentar o medo de fechar os olhos e não mais acordar, todos os dias ela agradece por abri-los. Desse modo, renova sua a esperança pela vida da mesma forma que fez durante milhares de dias para outros seres vivos.

A mão que treme ao ajustar a máscara de oxigênio, tão necessária para se manter viva, pertence à mesma mulher que lutou, ano após ano, somando décadas, por outros seres vivos indefesos. Fossem eles cães, gatos ou demais animais sencientes, tal qual crianças com direitos violados ou gravemente agredidas e mulheres vítimas de violência, abusos ou importunações.

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A Dor de Tantas Dores

As dores que Patrícia sente, em razão de seu atual quadro de saúde, parecem reunir o acúmulo de todas aquelas que ela ajudou a abrandar. Afinal, estamos nos referindo à uma mulher que transformou a dor alheia em missão de vida. Ajudou sem julgar, sem se esquivar buscando alguma circunstância que pudesse impor culpa à vítima. Pelo contrário, sempre lutou contra essa teoria que somente servia para subjulgar mulheres e crianças.

O capítulo sombrio de vida que Patrícia Nunes enfrenta ocorre com ela indefesa, prostrada em um leito, totalmente imóvel. Ela não esconde o constrangimento pela necessidade do uso de fraldas. O chiado constante de um cilindro de oxigênio é o lembrete permanente de que sua vida sempre depende do próximo suspiro.

Dessa forma, Patrícia Nunes vive o paradoxo mais cruel do voluntariado brasileiro: o da salvadora esquecida. Tanto por quem ela salvou assim como pelo próprio poder público.

O Corpo Gritou “Basta”

O diagnóstico clínico consiste em um inventário de dores crônicas que se somam a outros quadros clínicos de especialidades médicas distintas ainda mais graves. Em síntese, há um quadro complexo de doenças.

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A mão única da solidariedade: Patrícia Nunes, ativista animal e de mulheres, agoniza à espera de um milagre

Laudos médicos recentes revelam uma coxartrose bilateral acentuada, uma doença degenerativa que corroeu o espaço entre seus ossos, deformando a cabeça femoral e transformando cada movimento em uma tortura elétrica. Mas o risco imediato é ainda mais silencioso e letaltrês tromboses pulmonares seguidas (embolia pulmonar — CID I269).

Patrícia não adoeceu apenas por causas biológicas, mas também de exaustão. Acomodada na fronteira entre o amor e o sacrifício, ela assumiu, em Maricá e Saquarema, o papel que prefeituras e governos negligenciaram.

Foi o braço forte para mulheres vítimas de violência doméstica que não tinham para onde ir e o último recurso para milhares de animais “quebrados pela crueldade humana”, como ela mesma define em seu depoimento dilacerante.

O Peso de um Legado nos Ombros de uma Criança

Enquanto o poder público se ausenta, a responsabilidade de manter o Instituto Segunda Chance e o Projeto Arca Animal vivos recaiu sobre os ombros de Isabela Nunes, de apenas 13 anos. É a adolescente quem agora traduz o desespero da mãe em pedidos de socorro nas redes sociais. É ela quem limpa, quem alimenta e quem vê a mãe definhar sob o descaso institucional.

“Muitos dos nossos acolhidos ficam em canis, mas eles revezam espaços, recebem carinho dentro das nossas possibilidades. Todos comem, sentem e esperam”, diz Isabela em um vídeo que é um testemunho de maturidade precoce e dor.

Estoque de ração acabou

A menina cuida de cães idosos, dálmatas e pitbulls — animais considerados “não adotáveis” pelo mercado da fofura, mas que para Patrícia eram vidas sagradas. Hoje, o estoque de ração está no fim. E sem ração, o castelo de bondade construído por Patrícia ameaça desmoronar sobre a cabeça de sua filha.

A Traição dos Números e a Frieza do INSS

A injustiça ganha contornos oficiais através do INSS. Em uma decisão que desafia a lógica e a humanidade, o órgão indeferiu o benefício por incapacidade de Patrícia. O absurdo reside no fato de que o próprio perito médico do INSS atestou, por escrito, que a segurada está totalmente incapacitada de trabalhar.

Órgão ignora decisão de médico-perido

A justificativa administrativa, entretanto, encontra fundamento num detalhe técnico sobre a carência das contribuições, ignorando que o agravamento da doença foi justamente o que impediu Patrícia de manter a burocracia em dia.

Em resumo, trata-se do Estado punindo a cidadã por estar doente demais para cumprir suas regras. Sem esse auxílio, Patrícia não consegue comprar os remédios para o pulmão nem o oxigênio que a mantém viva. Ela escolhe, diariamente, entre a sua vida e a barriga vazia dos seus resgatados.

A Memória Curta do Oportunismo Político

A história de Patrícia é marcada por momentos de glória humanitária. Recentemente, ela prestou o socorro às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Articulou doações massivas com gigantes do varejo como as Americanas.

Naquela época, o nome de Patrícia era sinônimo de “exemplo de cidadania”. Fotos para registro, selfies, apertos de mão foram trocados e políticos de diversas esferas batiam à sua porta em busca do prestígio de seus 200 mil seguidores no Instagram.

Hoje, esses mesmos políticos sequer atendem o telefone.

As pessoas que “despejavam” cães doentes em seu portão seguiram suas vidas. 

Todos, todas e todes têm algo em comum: agora, fingem não ver as postagens de socorro.

“Ser protetora não é romantização. É exaustão, É adoecer. É carregar o peso de uma política pública que inexiste”, desabafa Patrícia.

Um Apelo pela Dignidade Humana e Animal

Não olhem para o caso de Patrícia Nunes como um pedido de esmola.

Eu vos digo que se trata de uma cobrança de uma dívida coletiva. 

Um débito contraído por milhares de pessoas que usaram a força de uma mulher até o seu esgotamento. Mas que agora a descartam como se fosse um dos animais feridos que ela própria resgatava.

Patrícia não quer aplausos. Ela precisa, com urgência, de oxigênio para respirar, remédios para não sentir a dor dos ossos se raspando. Mais do que tudo, da certeza de que sua filha não ficará desamparada em um mundo que parece ter perdido a capacidade de retribuir a bondade.

A urgência é realA vida de Patrícia e a sobrevivência do Arca Animal dependem de uma mobilização que não se resuma a “compartilhar postagens”. Além de compartilhar, DOE! AJUDE! Faça algo de efetivo e rompa a barreira do “passar para a frente”.

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